ÉTER- NA- MENTE


11/06/2009


 
 

"PREPARE SEU CORAÇÃO PRAS COISAS QUE EU VOU CONTAR..."

Autor: Geraldo Vandré

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Categoria: Citação
Escrito por Makalé Gomes às 22h02
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28/05/2009


 
 

"VIDA, MINHA VIDA: OLHA O QUE É QUE EU FIZ!"

Autor: Chico Buarque

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Categoria: Citação
Escrito por Makalé Gomes às 23h36
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20/05/2009


LEMBRANÇAS VELADAS

 

Foi ali

Às margens de um velho e sedimentado Monge,

Á sua correnteza defronte,

Encostado ao tronco torto de uma pequena árvore,

Entre a trilha e o barranco do rio,

Que um sentimento forjou seu ciclo

De atração,

Vida

E paixão.

De amor até a morte.

A mercê da sorte

E sem pensar nos riscos,

Só o afeto

Sincero e fatal

De fato contava.

Ânsia de prazer subornado a razão,

Ignorando a prudência dizendo: não!

 

São testemunhas os pássaros,

O ar,

A água e o barro;

As piabas,

Lagartixas, morcegos e os sapos;

Mariposas,

Camaleões,

A brisa e o mato.

E, até lá de cima, os aviões.

E mais adiante, do asfalto, o carro.

Viram tudo

E até hoje devem lembrar.

Alguns momentos mais breves,

Outros mais intensos.

Uns à sombra,

Outros ao luar.

 

Em efêmeras, mas emocionantes horas,

Libidinosos pensamentos

Eram contidos no limite do ato.

A tesão superava o medo,

O que nos motivava era o desejo

E o que nos dominava era a fome de amar.

E quantos beijos,

E quantas carícias

Aquele bosque contemplou

E que aos expectadores impressionava.

Contudo,

Quietos

Mudos

Ou perplexos,

Frente àquela modalidade de sexo

Que a pureza da virgem  caprichosamente zelava.

 

Amor que entre os deuses provocou debate

E às convenções sociais desafiou.

Na minha mente,

Porém,

Para sempre ficará velada

 

 

Escrito por Makalé Gomes às 21h38
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18/05/2009


SUA PELE

Sensação de prazer

Por que não dizer: mágica

Por assim dizer: prazerosa

É sentir o toque em sua pele linda,

Pele clara, limpa e cheirosa.

Suave como o veludo

Macia como as pétalas da rosa.

Delicada

Levemente corada

Exalando paixão

Textura da seda

Ou da fibra leve do algodão

Essência de formosura

Pura, gostosa, embriagadora

Qualidade da pluma

Fragrância da espuma sedutora

Sensível, bela

Derme, epiderme

Tudo perfeito nela

Nela como em nenhuma

Gotas d’água viram néctar

Sobre sua cútis de flanela.

Escrito por Makalé Gomes às 15h59
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30/12/2008


"Sozinho no escuro

Qual bicho do mato

Sem teogonia

Sem parede nua

Pra se encostar..."

             Carlos Drumond

Escrito por Makalé Gomes às 18h33
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GÊNESES DO MAL

A ganância gera a desigualdade

A desigualdade gera a pobreza

A pobreza gera o desespero

O desespero gera a revolta

A revolta gera o ódio

O ódio gera o conflito

O conflito gera a guerra

A guera gera a morte...

Mas a guerra também é promovida pelos gananciosos

Então, o ciclo continua.

Escrito por Makalé Gomes às 18h29
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30/11/2008


PENANDO E GERUNDIANDO

 

Cheguei à parada

E fiquei encostado

Na mureta quebrada...

Primeiro de pé,

Depois sentado,

De qualquer forma esperando

O coletivo lotado,

Meia-hora atrasado,

Mas que já vinha chegando.

 

O motorista irritado,

A marcha só emperrando...

Um cobrador aloprado,

Um rapazinho “viado”,

E um soldado mangando.

 

A mulher gorda empurrando...

Tinha um sovaco vencido,

Minha cabeça doendo,

O carro todo fudido

E um canalha peidando.

 

O saco da velha rasgado,

O frango gelado pingando,

Um baixinho sofrendo,

Tudo balançando,

E um sujeito tarado,

Na boazuda encostado

E um tal menino chorando.

 

Meu tronco empenado,

A estudante sorrindo,

A doida só reclamando...

Um calor arretado,

A lataria batendo,

O motor fumaçando,

A mulher gorda voltando,

Meu corpo todo pendendo

E o menino mamando.

 

A sirene apitando,

Algumas pessoas descendo,

Outras pessoas sentando,

Um mal-cheiro danado,

Eu já ficando enjoado

E o menino golfando.

 

Meu destino chegando!

O busu-velho freando,

O pé-redondo tombando,

O menino dormindo

E eu finalmente... “vazando”.

 

Ô viagem infeliz. Puta merda!!

Escrito por Makalé Gomes às 22h01
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15/05/2008


"Perspectivas são um luxo quando se tem um enxame de demônios zumbindo constantemente na cabeça"

Autor: Amir (personagem do livro "O caçador de pipas")

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Escrito por Makalé Gomes às 17h42
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12/05/2008


JULIANA CRISTINA

Linda criança adolescente,

Adolescente menina.

Moldura teu rosto claro,

Os caracóis dos teus cabelos fartos,

Mesmo que manipulados

Combinam com tua pele fina.

Leve,

Esbelta:

Minha obra-prima.

Lábios carnudos e olhos que se destacam.

Vivo pra tua vida,

Tua vida justifica a minha.

Pequeno coração,

Grande em ternura.

Singela meiguice,

Inocente preguicinha.

Sorriso que me fascina e encanta.

Canta,

Dança,

Manifesta assim tua alegria.

Em teu sereno sono,

Sonhas princesinha.

Escrito por Makalé Gomes às 21h12
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10/05/2008


"Será que tudo que eu gosto é ilegal, imoral ou engorda?"

Autor: Roberto e Erasmo Carlos

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Escrito por Makalé Gomes às 10h24
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"Se acredito na vida após a morte? Não sei nem se acredito na vida antes da morte! Acho que acredito na morte durante a vida."

Autor: Groucho Marx

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Escrito por Makalé Gomes às 10h19
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18/04/2008


DIOGO LUCAS

 

Uma criança nasce:

Belo e branco menino.

Tão logo revela um carisma inato,

Adorado bebezinho,

Fruto de um desejo imediato.

 

Alguns viram nele um “galeguinho”,

Más a cara do pai,

Se não por seus olhos claros,

Não deixa dúvidas sobre o fato:

É meu filho, Dioguinho.

 

Ainda pequeno

Por germes covardes é acometido.

Cai enfermo frágil garotinho,

Para aflição e angústia da gente.

Entre a vigília,

A dor e maciças doses de amor,

Sofreu,

Menininho,

Sob frias compressas e penosos tratamentos,

Que tentavam conter o calor de sua pele quente,

Numa luta de anos

Entre o mal o os medicamentos.

 

Vigiado pelos anjos do Céu,

Acudido pelos “santos” da terra:

Santa Mãe Dien,

Santa Mãe dele,

Santa Mãe Dudu,

Santo eu também.

 

Por fim cresceu,

Por fim à doença venceu.

Para nós, Glória!, “amanheceu”.

 

Hoje,

Adolescente-homem,

Desses difíceis momentos já não se lembra.

Protesta e sonha alcançar alto posto,

Como todo jovem sonha

E, naturalmente, reclama,

Acredita em melhores dias,

Porém, para os estudos,

Tinha que ser mais disposto.

Um dia,

Meu amado filho,

Entenderá melhor os desígnios da vida.

Que o real é diferente do sonho,

Mas que Deus sempre guie seus passos,

Para longe das tentações do demônio.

 

 

 

 

 

Escrito por Makalé Gomes às 17h33
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28/03/2008


MEU PAI E MINHA MÃE

Ali naquela foto,

Hoje Os admiro com saudades.

À esquerda, meu Pai,

Encarnando o trabalho,

Homem de cultura e inteligência inatos.

À direita, minha mãe,

A própria calma (em corpo e alma)

E a paciência dos sensatos.

Além de seu amor,

Pairando bem acima dos desígnios da vida

E de seus percalços.

 

Meu Pai,

Homem de competência incontestável.

Minha Mãe,

De dignidade inabalável.

 

Com Ele me sentia seguro, de fato,

Até para entrar na água turva e funda do rio,

Ou lá na praia,

Pra enfrentar as ondas “enormes” do mar,

Naqueles passeios por Ele tão bem planejados,

Na Catarina, nas coroas do Parnaíba ou na Atalaia.

 

Com Ela, à noite,

Já mais calma dos sustos que, via de regra, lhe pregava,

Repetia sonolentamente a reza que me ensinava,

– “Ave Mãe Lia cheia de graças...”

– “Ave Maria” – corrigia, fingindo zangada.

Ela, coitada, ainda tinha que cuidar da minha “ressaca”,

Dos excessos do sol ou do sal,

Dos enjôos e da pele queimada,

E do cansaço que só à noite chegava.

 

Sim, sinto suas faltas...

Por que a gente não valoriza, como deveria,

Os melhores momentos de nossas vidas,

Aqueles que passamos juntos e sob a proteção de nossos Pais?

  

Escrito por Makalé Gomes às 16h48
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14/03/2008


O PEDREIRO VELHO

Da varanda do meu apartamento observo

O trabalho do pedreiro velho.

Assentando tijolos,

Uma peça de cada vez,

Edifica o muro que substituirá aquela cerca já decrépita.

Une os blocos pelo cimento que ele, o pedreiro,

Modela com a colher,

Precisando o encaixe perfeito,

Obedecendo porém aos caprichos da estética.

Linha sobre linha sem perder o prumo e a noção do reto,

Forma a trama que segura o conjunto,

Preenche desta forma os espaços

Compreendidos entre as futuras colunas de massa e ferro.

Sobre o andaime  que sobe com ele

Uma hora meio que agachado,

Outra hora quase que totalmente ereto,

Acompanhado pelo colega adjunto,

Um trabalhador mais jovem,

Que coloca mais materiais ali perto.

Sua gandola azul,

Apesar do dia nublado,

Já cola em suas costas suadas.

E o capacete amarelo

Esconde parte da cabeleira grisalha,

Daquele profissional de mãos já tão calejadas,

Mas que traduz sua experiência de mestre

E confere qualidade ao produto solicitado.

E o muro avança,

E o muro sobe.

Mais alguns dias e tapará a vista do mato pra quem passa na rua.

Mas pra mim, não

Pois fito a paisagem um pouco mais do alto

E aprovo peremptoriamente aquela novidade.

Afinal, o trabalho do pedreiro velho e de seus colegas,

Vai livrar o terreno baldio do lixo

Ali amiúde jogado pelos insensatos.

Chegou o fim da semana.

A obra tem que esperar

O merecido descanso,

Daqueles que por força da lida

Pegam diariamente no pesado. 

 

Escrito por Makalé Gomes às 16h32
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AVALIANDO EJA

Tem horas que fico ali

Pensando, sentado

E, sem querer

Avaliando um fato

 

Olhando os semblantes pesados

Gestos e jeitos

Incertos, incomodados

Daqueles sujeitos aparentemente amedrontados

Respondendo (ou tentando)

Uma prova de Matemática

Mas podia ser de Geografia

História, Ciências, Gramática...

 

 

 

O que vejo, no caso

É o retrato de uma “pobreza”

Dela mesma (em sentido lato)

Dizendo presente em sala de aula

 

A cara dos desprezados

A agonia dos saberes-ignorados

Dos sem futuro, desafortunados

Das dignidades-negadas

São subprodutos da negligência

E da incompetência do Estado

Periferia da sociedade

Tratados como “plebe, rude, ignara”.

 

Não têm nada a perder

Nem tão pouco a ganhar

Submetidos a educadores insensíveis

Desmotivados ou incapazes

(ô serviço que deixa a desejar!).

 

Cidadãos de que classe?

Vítimas de um projeto caótico

Mal-concebido

Falido, falhado

Que ainda os promove

Sem mérito ou legitimidade

Avaliados pela metade

 

Passivos ou indiferentes

Revoltados ou carentes

Outros rebeldes

Por justa causa

 

E eu ali, parado

Impotente (ou demente?)

De frente e pertencente

A esse sistema inoperante

Alienante, errante, errado

Avaliando sem ser avaliado

 

Observo-os indignado...

Sujeitos indefinidos?

Elementos neutros?

Seres inanimados?...

 

Que valor tem seu lugar?

Que valor tem seu passado?

Quando serão de fato

Produtos notáveis?

 

Conhecimentos áridos, voláteis

São sistematicamente a eles repassados

Como fossem homens sem predicado

Como fossem pontos fora do gráfico

Não tanto ao campo, é verdade

Nem tanto à cidade

                                       

Umas she!

Outros he!

Mas onde vão mesmo usar o verbo “to be”?

O conteúdo escolar tem pouco que ver

Com as suas realidades!

 

E a nota do teste?

Vai depender das tais competências e habilidades

(dos mestres!).

 

Escrito por Makalé Gomes às 16h04
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