ÉTER- NA- MENTE


31/01/2010


O SINO DO CEMITÉRIO

“Glória ao Pai, ao Filho

E ao Santo Espírito...”

É bem sabido

Que ambientes sagrados

Dotados de magia, lendas ou rituais divinos,

Ou mesmo naqueles ditos macabros,

Envolvem, de certa forma,

Uma boa dosagem de mistério,

Sobretudo se há um sino

Que se toca dentro do cemitério.

É uma homenagem de alguém

Deste mundo para o além,

Dos vivos para os desencarnados.

Seu som grave e solitário

É bucólica trilha sonora

Para o funeral, cortejo e enterro,

Acompanhando o soluço do choro,

Da oração e do desespero

Pra quem há de dá naquela hora

O “vá com Deus" verdadeiro.

O calor vem das velas

E de um sol a pino,

Mas a santa sombra protege a gente

E deixa bem frio o sino.

É possível até descansar um pouco

Sacudindo o pó pegajoso e fino

Sob a mesma árvore frondosa e grande

Donde fica resguardado o sino.

Almas boas ou almas penadas,

Benfazejas ou condenadas,

Todas ouvem o mesmo som,

O som das rezas, das preces e dos hinos

Mas ninguém passa um minuto sem escutar

O repicar teimoso e triste do sino.

E batem o sino novamente...

Outra vez, insistentemente

Porque aquele que por ali passa

Quer por tradição, crença ou pirraça

Fazer o badalo vibrar o sino.

Ferro com ferro, aço com aço,

Batem o sino na ida,

Batem o sino na volta,

Seja homem, mulher ou menino,

Circulando pela cidade dos mortos,

Ouvindo sempre a mesmo nota

Da sinfonia monofônica do sino.

 

 

Escrito por Makalé Gomes às 22h15
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BRASIL, Nordeste, TERESINA, MARCOS AURÉLIO G. DA SILVA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Livros, Arte e cultura
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