ÉTER- NA- MENTE


12/02/2010


NA SAÍDA DA ESCOLA

Na hora da saída

A confusão é enorme,

Elas vêm embaralhadas

Todas com o mesmo uniforme.

É difícil discernir:

Ali, aquela, talvez!

Mas são muitas jovens, magras e branquinhas

Que saem de uma só vez.

Entre Éricas, Pricilas e Jéssicas,

Umas Marceles e outras Marianas,

Finalmente satisfeito avisto

Minha querida filha: Juliana.

Versos de um pai bobo

Palavras de um pai boboca

Mas o que interessa, no caso,

É o amor que se revela ao acaso.

Escrito por Makalé Gomes às 17h55
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AVALIANDO EJA

Tem horas que fico ali

Pensando, sentado

E, sem querer

Avaliando um fato

Olhando os semblantes pesados,

Gestos e jeitos

Incertos, incomodados

De alunos amedrontados

Respondendo (ou tentando!)

Uma prova de Matemática.

Mas podia ser de Geografia,

História, Ciências ou Gramática...

O que vejo, no caso,

É o retrato de uma “pobreza”,

Dela mesma (em sentido lato)

Dizendo presente em sala de aula.

A cara dos desprezados,

A agonia dos saberes ignorados,

Dos sem futuro, desafortunados,

Das dignidades negadas.

São subprodutos da negligência

E da incompetência do Estado.

−A periferia da sociedade.

Tratados como “plebe, rude, ignara”

Não têm nada a perder

Nem tão pouco a ganhar...

Submetidos a educadores insensíveis,

Desmotivados ou incapazes

(ô serviço que deixa a desejar!)

Cidadãos de que classe?

Vítimas de um projeto caótico,

Mal-concebido,

Falido, falhado

Que ainda os promove

Sem mérito ou legitimidade.

−Avaliados pela metade.

Passivos ou indiferentes,

Revoltados ou carentes,

Outros rebeldes

Por justa causa.

E eu ali, parado...

Impotente (ou demente?),

De frente e pertencente

A esse sistema inoperante,

Alienante, errante, errado.

−Avaliando sem ser avaliado.

Observo-os indignado...

Sujeitos indefinidos?

Elementos neutros?

Seres inanimados?

Que valor tem seu presente?

Que valor tem seu passado?

Quando serão de fato

Produtos notáveis?

Conhecimentos áridos, voláteis

São sistematicamente a eles repassados.

Como se fossem homens sem predicado.

Como se fossem pontos fora do gráfico.

Nem tanto ao campo, é verdade;

Nem tão pouco à cidade.

Umas “she”!,

Outros “He”!,

Mas onde vão mesmo usar o verbo “to be”?

O conteúdo escolar tem pouco que ver

Com suas realidades!

E a nota do teste?

Vai depender das tais competências e habilidades

(dos mestres!)

 

 

Escrito por Makalé Gomes às 17h53
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BRASIL, Nordeste, TERESINA, MARCOS AURÉLIO G. DA SILVA, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Livros, Arte e cultura
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